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179 anos de Barras

Literatura: Capítulo 02 do Romance Sepulturas do Tempo lançamento 2021

Esta é uma OBRA de ficção qualquer semelhança com a realidade é tão somente mera coincidência.

24/09/2020 21h29
Por: Direto da Redação Geral
Fonte: Romance in construção
Capa
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Capítulo 2

Igreja em escombros

 

Lucínio voltou nas reminiscências e viajaram pela pequena Barras de 1979, suas memórias passara por sótãos e porões cheios de baratas, ratos espalhados pelo chão da casa paroquial, aos salões de beleza opulentes da elite barrense, ao usar sua inteligência e o seu poder de sedução.

 

Talvez, tinha objetivo de sair da pobreza e conseguir riqueza, do abraço das prostitutas do cabaré da Mundica a encontros apaixonados com beldades ricas, em uma cidade provinciana, onde a Política e o jornalismo estava em ascensão e atropelara-se pela influência, e onde o sexo, o poder e a fama, uma obsessão perseguida por jovens em busca de reconhecimento de fama.

 

Lucínio era exímio nas letras.

 

E começou as primeiras linhas no pasquim periódico Força Jovem...! Com seus exemplares rodados em mimeógrafos de papeis fétidos de álcool...! Era Parlapatão com as mulheres. Um apaixonado por Ângela.

             O moço preparava o texto do pequeno pasquim em rabiscos e papeis amassados! Colara figura por figura... Formatava os parágrafos...escrevia os trechos dos acontecimentos da cidade. O retrato da primeira página não secaria a tempo.

 

...Era matar!

 

E era matar a crime e castigo. Matar a Dostoievski.

 

O castigo apenas uma consciência a locé. Nada de dor de consciência. O mesmo que ruminar suaves e toscos pensamentos.

 

Pensamentos quase tantos maliciosos e sádicos. A alma de Lucínio por Deus deveria ser perdoada no Juízo final, ou no juízo das pessoas do lugar. O povo fala, fala e aqui em Barras o povo diz nas esquinas, e nos pés de calçadas.

 

- Um libertino, dizia uma das beatas do Coração de Maria.

 

Terminado a missa de padre Lindolfo e os falatórios, o coração contrito, ora pausado durante o ato religioso voltara a voga, ao epicentro do disse-me-disse das ruas, das esquinas, das rodas de conversas aos pés das calçadas.

 

Maroca resmungara sentada no canto da praça:

 

- Quero é futuro, não é casar com moleque! Nem nome de família ele tem, não é um Lages, um Rêgo, um Carvalho, um Aguiar, um Castelo Branco, um Monte, um Almeida e assim declinara, ele deve ser um Sousa, um Silva ou um Pereira! Dizia ao referir-se a Lucínio.

 

Maroca haveria de arrepender-se um dia dos ditos infelizes.

 

Obsessão pela riqueza fazia Lucínio, afinal, um pecador arrependido? Não! Mas, ele ganharia a salvação no paraíso do Cristo? Sim! O mesmo Cristo a abafar sua crença na proa do alto de uma Cruz.

 

Era mês de outubro de 1969.

 

O povo a acerar as roças e os latifundiários a encher os bolsos com as rendas dos mais pobres, espoliados pelos mais ricos e abastados dessa terra. Os armazéns lotados de mercadoria. Cera de carnaúba, arroz, feijão e etc.

 

Lucínio quisera achar o fio da meada no escrito do editorial do pasquim Força Jovem. O moço estava acoloiado com seus pensamentos, nada pudera fazer para sair daquela situação, Política! Era a voga da vez.

 

Desde que fora achado na porta da igreja de nossa senhora da Conceição, ele jogado ali em um ambiente lúgubre que vivera desde que a igreja o adotara no mundo dos homens.

            Eram ratos a desfilar um a um e baratas a percorrer a cama tateando as migalhas da janta. Uma pequena luz de um pitoco de vela teimava em queimar e iluminar o local. E ele na labuta para terminar a edição do pasquim. Aurélio nem ousasse aparecer para conversa, não daria atenção ao melhor amigo. Só iria sair dali para badalar o sino aos quatro cantos da pequena provinciana Barras de marataoan. Ressoar a pique as pontuais seis horas. E ele terminara de imprimir a página da seção cultura! Poemas de Baudelaire e Byron na edição do domingo do jornaleco.

 

            O sino ressoou em doze badaladas. Era sete da noite, ouvia-se, murmúrios de gente pela praça da matriz, um barulho tímido de teste dos sons da festa arrastando de longe até o morro grande da igreja.

 

Cacofonia urbana dos fins de semana.

 

            De repente, o rangido da porta a se abrir, um par de alpargatas abandonadas no pé da cama, e pés nus e subir no lençol, uma calcinha de renda jogada ao chão e testemunha do ato, os dois corpos rolando nus no vai e vem indecente e libidinoso. Sexo! Uma nuvem plúmbea a descer lágrimas apaixonadas dos céus, chuva! Era chuva dos cajus e das mangas!

 

E foi em uma noite de chuva. O choro do pequeno menino era abafado pelo trombone e pela festa. Ali no canto da igreja em uma caixa de papelão, o menino fora abandonado à própria sorte. E tinha formigas pelo corpo. Uma caixa de papelão, o leito entre cueiros.

E Lucínio escreveria a própria estória 40 anos depois pelo computador. Contara uma Barras ano de 2013, onde o neto digitara em papéis vários, sua estória e seus causos daquele tempo saudoso.

Outros amassados no lixo. E Jogara no lixo, os rascunhos, rabiscos inservíveis.

 

Lucínio a luz que veio das trevas de um ventre.

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